Após dilacerado
Há um sulco descomedido em meu imo
Que arde nas bordas e só
Cessa quando transborda lamúrias
Irrefreadamente... escuras, espessas.
Sem força ele não bombeia e os extremos
Frios de nada - são dedos opacos de
Vida que doem um agudo tormento.
O sofrer eterno de alguém que por dentro sangra.
Hemorragia desenfreada que alaga as entranhas
E escorre dos olhos cristalina. Que mancha a pele
De translúcido e reluz até cegar o olhar de quem vê
Inexistente para os com quem convive tenho os olhos cerrados,
Não de raiva, algo mais brando que não sei dizer.
Porque tanta dor? É o vazio de dentro que me corrói
Ou o turbilhão ininterrupto que me é externo
A aprisionar-me do lado interior? Nem para essa tenho resposta,
Uma vez que brotam perguntas de meus lábios.
Já as respostas nunca encontram o caminho até o consciente.
sábado, 9 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Desassossego
Teus olhos me dilaceram em miúdos.
Como chaga viva em meu peito exposto
Tuas mãos em brasa largam funestas impressões
Por toda minha pele.
Tuas marcas, contudo, não se restringem ao exterior:
Estendem-se ao cerne meu.
Antes de ti, como árvore imaculada, respirava o mundo
E vivia no ser mais que plenamente.
E agora, com o pai morto e a mãe ingrata,
Tento fazer de meus dias opacos, cheios de gente que reluzam à luz do dia
E se façam presentes mesmo na escuridão.
Em princípio, a Lua era como meu farol constante
Nas noites ingratas de sofrimento e solidão;
porém, hoje, as nuvens pretas nunca abrem caminho para o feixe prateado .
E assim esqueço que daqui a algum tempo, haverá paz no espírito,
sorriso nos lábios e, sempre ...
A inquietude de meu coração.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
E a vida em sépia.
Os poemas me encontram
Mesmo em meio ao mundo.
As risadas e falatórios -
Quantas vezes não me tiraram
A atenção.
São fantasmas passados que me
Doem o peito quando me perco em
Lembranças.
Chico uma vez disse que sua vida
É feita de memórias.
Mas qual não é?
O que escrevo são as imagens gravadas
Em meu subconsciente.
É como se as transcrevesse, pintasse,
Em poesia.
As imagens seriam todas distantes... Um tanto turvas
Em cores difusas.
As vozes não encontrariam tons;
E os olhos - se reconhecíveis - opacos.
Meu filme é mudo
E a película, gravada em sépia.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Rodrigo Amarante
Em entrevista para uma revista ele diz:
Chega na maré, ele vira mar
Como se morrer fosse desaguar
Derramar no céu, se purificar
Deixar pra trás sais e minerais
Evaporar
Amarante - Quando escrevo (falo por mim) tenho a impressão mais de estar tentando materializar nas palavras e na música uma coisa que já está em minha memória.
É como cristalizar um pensamento transformando-o em palavras. Dessa forma coisas da vida aparecem nas músicas mas nem sempre de forma literal ou objetiva.
Muitas das músicas compostas por ele são minhas preferidas : Último Romance, Sentimental e tendo conhecido-a através de uma amiga (Sofia) Evaporar.
Evaporar
Little Joy
Composição: R. AmaranteTempo a gente tem
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar
Quanto a gente dá
Corre o que correr
Custa o que custar
Tempo a gente dá
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar
Quanto a gente tem
Custa o que correr
Corre o que custar
O tempo que eu perdi
Só agora eu sei
Aprender a dar foi o que ganhei
E ando ainda atrás desse tempo ter
Pude não correr pra ele me encontrar
Não se mexer
Beija-flor no ar
O rio fica lá, a água é que correuSó agora eu sei
Aprender a dar foi o que ganhei
E ando ainda atrás desse tempo ter
Pude não correr pra ele me encontrar
Não se mexer
Beija-flor no ar
Chega na maré, ele vira mar
Como se morrer fosse desaguar
Derramar no céu, se purificar
Deixar pra trás sais e minerais
Evaporar
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
E aqui dentro... a Falta.
Como um solo infértil, sem essência
Ou qualquer condição de vida e não
Há quem respire alegria: é onde o brilho de teus olhos não alcança...
Essa luz fugas que por muito segui
Já significa nada e está, pois, esquecida
Dentro em mim: como que adormecida
Contudo respira e, portanto, vive...
E quanto a mim, inconseqüente – inconsciente,
Dito minhas passadas na cadência desta pulsação
Que em meu âmago, há muito enterrada,
Resiste a martelar, inda que suavemente,
Contra o peito meu. E se faz presente em cada momento
como se de intento eu já não sorvesse... E como se vidente,
Impelido por renovado sopro de vida originário de ti
Ressurge como farol no horizonte após a forte tempestade
Ter me tomado o rumo.
E esta luz incandescente são teus olhos a encontrar os meus
E teu cheiro a acariciar meu rosto. São teus dedos a varrerem minha face
E, em única passagem, deixarem a marca perpétua de teu calor junto ao
Meu corpo...
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Diáfano, sim. É ela.
Sinto as mãos vazias de palavras, os versos despedindo-se dos dedos, sinto a confissão se esvaindo.
E, de pouco em pouco - como se ressequido,
O espírito antes livre para versar confunde-se com o redór.
E a cada pedaço que se vai, sinto-me sem motivo.
Como se sem realidade
Seja feita de translúcido, bordas irreais.
Não sei se de vazio interior,
Ou se de externo inexistente
Que são feitas minhas palavras.
E toda linguagem minha, como se de poeira fosse feita,
Parece, pois, coisa nula, descartável...
Bagatela.
E de quê poderia valher-me
Léxicos que nada significam?
E para que transcorrer, mesmo que fluidamente,
Sobre insignificâncias do que está por dentro?
Se nada parece ter mais por que.
E de nada vêm, então de nada serve e nada significa.
Não quero escrever sem motivo,
Sem sentimento nem motivação.
E toda essa falta me corrói, faz-me mal
E o ciclo, vazio de cheio, não se interrompe.
E a cada vez afogo-me em lamurias intermináveis
Não há regojizo... Não há sorriso, não há
Se quer, expressão.
E toda linguagem minha, como se de poeira fosse feita,
Parece, pois, coisa nula, descartável...
Bagatela.
E, de pouco em pouco - como se ressequido,
O espírito antes livre para versar confunde-se com o redór.
E a cada pedaço que se vai, sinto-me sem motivo.
Como se sem realidade
Seja feita de translúcido, bordas irreais.
Não sei se de vazio interior,
Ou se de externo inexistente
Que são feitas minhas palavras.
E toda linguagem minha, como se de poeira fosse feita,
Parece, pois, coisa nula, descartável...
Bagatela.
E de quê poderia valher-me
Léxicos que nada significam?
E para que transcorrer, mesmo que fluidamente,
Sobre insignificâncias do que está por dentro?
Se nada parece ter mais por que.
E de nada vêm, então de nada serve e nada significa.
Não quero escrever sem motivo,
Sem sentimento nem motivação.
E toda essa falta me corrói, faz-me mal
E o ciclo, vazio de cheio, não se interrompe.
E a cada vez afogo-me em lamurias intermináveis
Não há regojizo... Não há sorriso, não há
Se quer, expressão.
E toda linguagem minha, como se de poeira fosse feita,
Parece, pois, coisa nula, descartável...
Bagatela.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Que nada contém.
Só quero o sossego de teus lábios coligidos com os meus. Teu suave gosto a me inebriar juntamente de teu cheiro, teus toques enfim, tua presença... Preciso de ti mais do que parece. Nada há que diminua esta aflição imposta a mim. Sem ao menos saber quem tu és, priva-me de discorrer sobre o provável tom de pele a reluzir sob o sol poente; o brilho de teus olhos diante da tela de cinema, para mim, muda; teu perfume carregado até onde estou e que, sei, nunca esteve; assim sendo, assisto o romance de outros. Escuto estórias repetidas a cada vez, leves alterações... Mas quem se preocupa com os clichês quando são eles a preencher-lhes o espírito e lhes permite colocar um sorriso nos lábios?
Não sei, mas são as histórias mais tristes (aos olhos de outros, e a mente e corações de uns) que mais me atraem. Não sei se porque enxergo beleza onde há dor, somente porque assim, o sentimento é valorizado... Sinceramente, a opacidade de meus pensamentos, quanto ao assunto relacionamento, e todos os trâmites que lhe são concernentes, deixa-me triste. É como se me pedissem para pensar no nada. Isso, somente, se me prendo no momento atual, pois passado todos temos e é dele que construímos nossa base seja com relação a o que for... Só que passado não alimenta o espírito de quem necessita de regojizo, seja de que for, provindo de outro ser; ele não comprime o peito de saudade (as vezes sim, mas não depois de tanto tempo... dependendo da intensidade do sentimento), nem dá a sensação de borboletas no estômago... Não sei, sinto falta de algo, ou alguém. É como se escrever não tivesse mais por que.
E isso, é insuportável.
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